Simples como a chuva

  A chuva caía intensamente. Ele estava sozinho em casa, deitado no sofá, encarando o vazio. Vazio, a palavra perfeita para descrever seu coração. Nada parecia dar certo para ele, e depois de muitas tentativas frustadas, ele resolveu parar de tentar. Não era como os outros garotos, que só queriam pegar geral, e humilhar as garotas na frente de todos. Ele queria uma menina especial, ainda acreditava em amor verdadeiro. Mas naquele exato momento, estava cansado. Fechou os olhos e apenas ficou a ouvir o barulho da chuva. Se sentia bobo por procurar seu verdadeiro amor, ou pelo menos era isso que pensavam dele.
  De qualquer forma, todas as vezes que achava que estava apaixonado, ele se aproximava, tentava se expressar, mas a garota se mostrava interessada por qualquer outro cara do time de futebol. Talvez o problema fosse com ele. Seu jeito de tentar tratar uma garota como uma princesa não estava funcionando. Seus cabelos louros e meio desarrumados não eram mais especiais. E seus olhos azuis, já não tinham mais o mesmo brilho.
É, problema com certeza era com ele.
  Apenas uma garota ainda mantinha um contato com ele. Sua única e melhor amiga. Ambos era calados e tímidos, e isso os aproximou. Ela era compreensiva, legal, bonita e uma ótima companhia. Todas as tardes de longas conversas e idas à parques de diversão tinham sido incríveis ao lado dela. Ela era incrível. Ele não compreendia como ela estava sozinha, mesmo depois de ter sido convidada para sair por várias garotos populares. Também não conseguia entender como aquela menina tinha um efeito tão positivo na vida dele. Qualquer coisa que fazia, junto com ela, se tornava muito especial.
  Do nada sorriu sozinho. E então, depois de anos de amizade, ele compreendeu. Amava ela. Levantou bruscamente, e decidiu que estava na hora de tomar a atitude mais correta de sua vida, e enfim falar para sua melhor amiga que tinha encontrado o verdadeiro amor. Olhou pela janela, a chuva ainda estava forte, mas ele não se importava. A casa dela não ficava muito longe. Pegou um casaco, vestiu e saiu correndo. Em seu caminho, foi pensando em como falaria com ela, e sentia os pingos gelados de chuva.
  Olhava para baixo, e andava decididamente, quando sentiu um esbarrão forte. Olhou para trás e viu uma silhueta caída no chão, provavelmente por causa do impacto, voltou e ajudou a pessoa a se levantar. Ao se recompor, pôde perceber que era uma silhueta conhecida, e quando a mesma levantou o rosto, ele reconheceu. Era ela.
 - O que você está fazendo nessa chuva? - Ele perguntou, segurando firme nas mãos dela. Ela olhou nos olhos dele e respondeu.
 - Você também está na chuva. Eu estava indo até a sua casa. - Ele olhou surpreso para ela.
 - Então temos algo em comum, porque eu também estava indo para a sua casa. - Ela sorriu, e ele continuou. - Na verdade, eu queria te dizer uma coisa.
 - Eu preciso te dizer uma coisa. - Ela o interrompeu.
  Ele olhou para ela. Seus cabelos estavam colados ao rosto e seus olhos castanhos o observavam fixamente. Não queria mais delongas, iria de uma vez por todas dizer a ela o que estava diante de seus olhos há muito tempo, e que ele só havia percebido agora. Mas também queria ouvir o que ela tinha a dizer, então decidiu deixá-la falar primeiro.
 - Fala. Quero ouvir o que tem a dizer.
 - Na verdade, fala você primeiro, por favor. - Ela disse, e novamente ficaram em silêncio, então ele começou.
 - Eu percebi uma coisa... - Não continuou. Eles ficaram se encarando por um tempo. Então os dois resolveram falar no mesmo instante.
 - Eu amo você. - Pronunciaram em uníssono. Então se encararam, e ele resolveu que era a hora de tomar uma atitude. Agarrou a cintura dela, e a puxou para um beijo.
 O beijo se estendeu por vários minutos. E ao se separarem, ele a abraçou e a tirou do chão. Ao soltá-la, olhou em seus olhos e disse.
 - Como pude ser tão cego? Demorei tempo demais procurando meu verdadeiro amor, sendo que ele estava o tempo todo bem ao meu lado.
 - Eu sempre soube quem era o meu verdadeiro amor, mas ele era lento demais para perceber. E logo hoje que eu ia me declarar, ele estragou a surpresa.
 - Te amo muito.
 - Eu também te amo muito.
Então os dois ficaram ali, na chuva. Aproveitando um amor que nem mesmo a mais forte das tempestades poderia destruir. Um amor forte e simples, como aquela chuva.
Gabriela Ferreira, Blog dela: Garota esperta (clica, clica)

7 comentários:

Mariana Saldanha disse...

Lindo o texto, mas mesmo assim acho muito "final feliz" pro meu gosto sabe...
É sou muito realista quando o papo é romance, mas amei o texto de verdade é lindo e faz a gente sempre pensar em alguém não é mesmo? haha
Beijos

bombofcupcake.blogspot.com

Jéssica Coelho disse...

Adorei o textinho!

Beijos

http://www.jessicarcoelho.com

Juli Jolie disse...

Uma história bem fofinha que acaba com algo que toda garota já sonhou em fazer: ficar com o amado na chuva. haha adorei!
-xoxo

http://s2juuh.blogspot.com/

Jullie disse...

Muito lindo! Curti seu blog e já estou seguindo.
Gostaria de saber se quer fazer uma parceria comigo
Jullie
dreams-for-ever-love.blogspot.com

Carla Wolf disse...

Ai ai,a guarulhense sempre nos surpreendendo com os textos né? Muito lindo o texto!
vestindo-ideias.blogspot.com.br

Thalita Maia disse...

Lindo demais !

Beijos :*

Jullie disse...

Muito obrigada pela dica do I-pad!!!
E aí? Aceita a parceria?
Beijinhos flor!
Julie :)